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terça-feira, 7 de novembro de 2017

ESPINHO PIOR DO QUE A CRUZ - Pastor Rubens Lopes




ESPINHO PIOR
DO QUE A CRUZ


O apóstolo Paulo pediu ao Senhor que o  livrasse de um  espinho:

"E para que me não exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho  na carne,  a saber,  um   mensageiro  de  Satanás  para  me esbofetear, a fim de me não exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim" (II Coríntios 12:7,8).

Ele nunca disse que espinho era esse e, se ele não disse, tudo quanto se diga será mera especulação: tanto poderia ser um sofrimento físico — uma oftalmia, por exemplo — como um sofrimento moral.

O que desejamos destacar no episódio é que um espinho pode ser uma cruz: uma cruz disfarçada em espinho. Aquele valia por uma.

É verdade que uma cruz é um madeiro e que espinho não passa de uma felpa de madeira. Cravado numa cruz ou crivado por um espinho, o homem sofre horrores. Espinho é como cravo: tem a ponta afiada.

E pode ser pior do que cruz porque esta dura um dia ou alguns, ao passo que aquele pode durar a vida inteira, como foi o caso do apóstolo, a quem o Senhor respondeu simplesmente:

"A minha graça te basta porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (ll Coríntios 12:9).

E pode ser ainda pior porque há quem ajude a carregar uma cruz, mas ninguém pode fazer o mesmo com um espinho. Cruz é ferida exposta, que todos podem ver; já o espinho parece um tumor oculto. Mas que são os espinhos?

São provações que duram. Que vêm para ficar. Que precisam ser curtidas em câmara lenta. Pacientemente. São estrepes que se cravam na alma de quem atravessa a paisagem agreste deste mundo. São muitos: um casamen­to infeliz, uma família mal ajustada, filhos que dão o que chorar, um amor contrariado, uma desilusão, um empreendimento mal sucedido, um objeti-vo malogrado, uma aspiração insatisfeita, uma doença incurável, um defeito físico, um trofeu perdido, uma grande ausência, uma saudade amarga, um passado que marcou o resto da vida, um lar desfeito...

Acúleos que ferem. Que ferem sem parar. Como se fossem cravos do tamanho de alfinetes.

Cristo teve duas cruzes: uma na vida e outra na morte. A primeira, feita de espinhos; a segunda, feita de madeira. Uma durou três anos, que foi quanto durou o seu ministério; a outra durou algumas horas, o tempo que ele levou para morrer. Deram-lhe os homens não apenas uma coroa de espinhos, mas pior do que isso: deram-lhe uma cruz de espinhos. Foram os sofrimentos de seu dia-a-dia. Incontáveis.

E se Deus não nos tira essa cruz disfarçada em espinho? Muito simples: é fazer como Paulo — "A minha graça te basta". A graça divina ainda é o sedativo que abranda a dor de qualquer espinho, por mais fundo que ele fira.
 
Pastor Rubens Lopes, 1914-1979



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